Parecia mesmo um sonho.
Mas não fazia sentido.
Refletia sozinha: com seus pensamentos, medos, aflições, ilusões, desejos, devaneios e lágrimas.
Veio então a sensação de liberdade e de prisão por própria vontade.
Descobriu que cativara.
Sentiu-se protegida e a fragilidade que sempre a acompanhara agora parecia ser sua própria salvação.
A reciprocidade era seu consolo, força e escudo.
Contemplação e interação.
Tudo então soava diferente.
Nada, nem ninguém poderia aniquilar as lembranças e marcas que agora habitavam seu coração. Que vontade de cair em prantos e de sair correndo e gritando, sentia.
A solidão era vital: acalmava, clareava.
Voltou-se ao céu e agradeceu por cada uma daquelas horas, palavras proferidas, sorrisos, brincadeiras e carinhos.
Naquele exato momento suas lágrimas caiam como raros e preciosos diamantes, legitimando cada segundo vivido e sentido da maneira mais intensa e profunda que era possível.