segunda-feira, 24 de agosto de 2009

LEVEmente

Eram diversas as sensações.
Estava crente em si mesma.
Sorria sem motivos claros que justificassem.
Cantarolava qualquer coisa pelos cantos.
As palavras que lia naquele instante,
Tocavam profundamente .
Ela tinha uma essência sensível.
Cada coisa tinha um encanto diferente.
Sentia um êxtase,
Uma razão de ser.
Liberdade era pouco para descrever o que sentia.
Podia voar.
Tinha plena convicção disso.
E o que possuía bastava.
Era pretensiosa,
Mas estava em um estado de espírito,
Que nem imaginava um dia chegar.
Por hora nada mais era necessário.
Flutuava sem sair do lugar.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Palavras ao vento

Às vezes parece que não é mais possível separar a realidade da imaginação e do que se encontra na dimensão do desejo.
Há uma busca por explicação e coerência que ocupa muito do tempo.
Os fatos ocorrem e passam e nada parece estar a contento.
Talvez chuva.
Talvez vento.
Cada célula a escrever um soneto.
E os olhos apesar de sinceros insinuam ainda guardar um grande segredo.
O mistério de tudo a volta instiga.
A paixão parece ter sofrido mutação.
Dentro da cabeça há uma pulsação.
Que agita.
Confusão mental.
Que resulta em mais uma crise existencial.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Adoçado com carinho

"Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro."

[Trecho de "Tabacaria" - Poesia de Álvaro de Campos - Fernando Pessoa]

É como se Pessoa tivesse escrito minha alma.
Ganhei o livro das Poesias Completas de Álvaro de Campos.
O mais incrível é que não conhecia e já sinto como se estivesse lendo minha própria alma.
Grandes e mais identificações.
Talvez o segredo esteja no fato de dispensar o açúcar comum e adoçar tudo com carinho e sensibilidade.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Apenas poesia na casa vazia

No silêncio da casa vazia sentia-se sozinha.
Andava de um lado para o outro sem saber o que fazer.
Buscava algo para passar o tempo e amenizar a angústia que pulsava em seu peito.
Histeria.
Estava totalmente vazia.
Teve vontade de gritar para arrancar o que lhe corroia.
Por vezes considerava-se ridícula.
Ora se contentava com tão pouco...
Ora nada era o suficiente para fazê-la feliz.
E pensava...
Será que viveria eternamente dependente e descrente?
Insegura, imatura.
Mais um dia se fazia.
O vento soprava.
E nada acontecia.
O telefone tocara.
Grandes fantasias.
Apenas poesia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Incoerência na essência

Talvez ela não se reconhecesse mais. E a angústia era proveniente dessa sensação de não saber mais quem era. Ela buscava explicações nas leituras de Psicologia, nos romances simples, nos versos dos poetas, nas conversas com seus íntimos. Pensava até em meditação.

Suas sensações e sentimentos pareciam fugir totalmente de seu controle. Sentia algo que se parecia com medo. Buscava incessantemente por respostas e acalento. Será que ninguém podia ajudar?

Tinha um fogo em suas mãos e dentro de si, parecia sentir desapego. Desapegada a tudo. Será mesmo? Ou talvez fosse justamente o contrário. As antíteses e as hipérboles sempre foram suas companheiras. Questionava tudo agora. Tudo lhe soava falso.

Até o que se passava dentro dela parecia invenção. E talvez fosse.
Não sabia se estava amadurecendo ou retrocedendo. Eram sinais que ela não conseguia captar.
Não havia nem lágrimas para chorar!

Penumbra

Sentia agonia
apatia
doia.
A porta fora fechada
permanecia
calada
chocada.
Foi dormir
se iludir
sucumbir.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cruel despertar

Se o coração agora de leve pulsa
E a alma já está enfadada
Algo se perdeu no caminho
Cansou-se também de esperar
É hora de viver
Parar um pouco de sonhar.